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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A SIMPLICIDADE É PASSAPORTE PARA UMA BOA ACOLHIDA SOCIAL

A vida capitalista tem o seu percuso natural de segregação social. Faz parte da natureza capitalista transformar os seres humanos em coisa etiquetadas. As pessoas são selecionadas por afinidade econômica, racial e religiosa. As pessoas agem conforme a identidade social. Somos solidários de forma seletiva.
A experiência das enchentes em Santa Catarina é bom exemplo de solidária eletiva e seletiva. Nunca dantes vi algo tão semelhante em termos de solidariedade. Barracos de pobres frequentemente são atingidos com maior proporção catastrófica e nunca tiveram a mesma acolhida em termos de reconstrução. Crianças e adolescentes são exploradas sexualmente; trabalhadores escravizados em lavouras. Nunca vi essa mesma comoção nacional prestando a mesma solidariedade a outras pessoas negras, pobres e índios que sofrem todas as formas de violação aos seus direitos humanos e também, as intempéries da natureza.
Aliás, provavelmente algumas dessas pessoas que se comoveram e contribuiram para a reconstrução das cidades turísticas de Santa Catarina são pessoas indiferentes a outros tipos de catastrófe social.
Tal exemplo é apenas para mostrar que vivemos num ambiente capitalista que determina como devemos agir e de que forma vamos acolher as pessoas. O acolhimento, o choro e a sensibilidade devem ater-se apenas aos nossos semelhantes racial, social e econômico.
O Capitalismo transformou tudo em condomínio existencial. A rotina é a soberba, a indiferença e o individualismo. A rotina e a ostentação. O lazer capitalista é exercer a humilhação contra os mais pobres.
No modo capitalista de ser, grande parte dos seus discípulos tem o prazer de humilhar a empregada doméstica, o zelador, o porteiro.
No modo capitalista de ser, essas pessoas são invisíveis até mesmo dentro das casas, condomínios e fazendas.
A ordem ontológica capitalista é apresentar-se ao mundo através de etiquetas. A ordem capitalista ,transforma seus idiotizados em outdoor ambulantes.
O barato é ter algo! o barato é sangrar a alma e o corpo até alcançar o objeto desejado. O barato é isolar dos feios, dos rostos surrados nas lavouras e nos canaviais. O barato é apoiar a higienização social e criar lugares próprios para pessoas iguais a nós.
Ser humilde é transgredir o sistema!
Já... já aparecerá um parlamentar, devoto do capitalismo, para propor uma proposição no sentido de punir as pessoas realizados profissional e economicamente que optam por uma vida humilde e discreta.
Corre-se o risco de criminalizar e demonizar a humildade como se fez com ócio no passado recente.
Vivamos a simplicidade, mesmo morando bem e tendo bons e cobiçados objetos.
A simplicidade é o caminho para superarmos o medo, o preconceito e as esquizofrênias da alma egoísta.

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