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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

VIDA MODERNA! VIDA UNIFORMIZADA

Brasília é uma cidade extremamente programada. Aqui não há espaço para o imprevisível ou a surpresa. Não se anda com as pernas. Anda-se com o carro o tempo o tempo até o raiar do entardecer do Cerrado.
A forma arquitetônica contaminou o inconsciente coletivo. Andamos setorizados e quadrificados. Somos quadras ou setores. Não temos nomes nas ruas. Tudo se confunde! Até no cemitério temos a extensão da rotina. Lá se procura o túmulo de alguém através da nomeclatura "quadra".
Tudo é robotico! Tanto faz semana de trabalho quanto final de semana. Sabe-se naturalmente o que fazer a cada dia da semana.
Chama-me mais a atenção é a hora do lazer. Aqui tem um parque da cidade que parece um velório ou parada militar. Caminha-se nas pistas emudecidos ou olhares cabisbaixos com medo de receber um "bom dia". Um bom dia tornou-se um momento sofrível ou de pânico para muitos. Anda-se de roupas esportivas uniformizadas com uma expressão facial bélica. Todos de medo de todos e desconfiam-se da própria sombra.
Brasília é uma cidade fria onde os corpos humanos se perdem numa arquitetura meramente contemplativa e amorfa.
Brasília é uma agenda engessada e programada. Sem vida espontânea que se perde dentro dos carros circundantes que buscam encontrar um lugar diferente.
Ri em Brasília é sinônimo de drogado. A Risada escancarada torna-se suspeita. Todos, discretamente, lhe dada para saber qual a droga que tu usas? A risada desmedida provoca suspeição. A ordem unida candanga está acostumada com risada embutida e etiquetada.
Brasília é o lugar da neurose e do individualismo. Mora-se anos ao lado de alguém sem saber o seu nome. Brasília é terra do Nunca. Nunca deu certo e nunca os seus criadores moraram por aqui.
Brasília é semelhante ao Criador que criou o mundo e nunca mais apareceu por aqui.
Brasília é um purgatório que se resume a trabalho-shop e dormitório.
Tem um céu bonito contemplado por seres carrancudos. Tenho um cerrado onde todos confundem com mato imprestável. Explica-se portanto, o desmatamento desmedido e incontido. Tira-se a árvore torta para colocar uma árvore reta sem brisa. Aliás, o torto é subversivo e inquietante. Bonito é andar engomado nos ternos burocráticos.
Brasília é ternocrata. Todos usam os ternos para serem aceitos na ordem candanga unida.
Brasília não é uma ilha. A Ilha ainda tem o barulho do mar. Brasília é uma pilha de nervos compostas de uma maioria de pessoas dependentes de psicotrópicos e outra de drogas e bebidas alcólicas para suportarem otédio e a mediocridade dos emergentes e dos servidores públicos.
Brasília é o paradoxo da sua própria retórica e de seus ufanistas: ora é eixão da morte ora é eixão do lazer. Durante a semana mata-se o pedestre e no final, brinca-se com suas bicletas e patins na pista marcadas por corpos esfolados monstros de quatro rodas.
Enquanto náo se chega o tempo de aposentar melhor é continuar sonhando com aeroporto e a Br-40.

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