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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

SEMELHANÇA ENTRE FAMÍLIA TRADICIONAL DO MUNICÍPIO COM TRAFICANTE DE MORRO CARIOCA

Estive recentemente no município de Góias, chamado pejorativamente de Goiás Velho. O lugar é cinematográfico, introspectivo e bucólico. Resisto em ser mais um turista oficial, uniformizado e teleguiado. Fui a todos os lugares turísticos da cidade, mas gosto de fazer uma pausa para conversar com as pessoas da cidade que costumam ter histórias e relatos fascinantes que, via de regra, não constam nos folhetinhos de agências de turismo. Chamou-me a atenção a história de uma pedra em Serra Dourada que foi derrubada nos anos 60. Fiquei atento as palavras das pessoas. São pessoas desconfidadas e amendrontadas em dizer a verdade da cidade que é dominada por famílias tradicionais. São reféns da truculência e violência dessas famílias que costumeiramente agem acima da lei. Ir no interior de alguns Estados Brasileiros me lembra muito os chefes do tráfico dos morros cariocas.
Ouvindo a história da pedra derrubada tomei ciência que os vândalos eram filhos de famílias tradicionais da região. Ao ouvir atentamente reportei-me ao tempo da colonização para entender essa gente que chamamos de elite.
Comecei a pensar que tipo de gente que vieram para o Brasil com intuito de roubar, pilhar, matar ou eufemisticamente desbravar. No fundo a elite formada é oriunda dos primeiros miliantes da colonização, acasalando-se com os imigrantes europeus fracassados na depressão de 1929. Conclui que é de esperar que tenhamos uma elite depredatora, kitsch e brega. Nossa elite é uma elite pior do que os traficantes do morro. Nas cidades pequenas, no interior do Brasil, ela manda no prefeito, na polícia e até no Judiciário. Todos são obrigados a bajulá-los.
Confesso que essa postura coronelista vem mudando aos poucos, graças a força mobilizadora da sociedade e da mídia.
Contudo, ouvindo os depoimentos daquelas pessoas humildes e trabalhadores percebi que há grande semelhança com os moradores dos morros carioca. Se falarem demais certamente será punido pela família tradicional da localidade. A família tradicional é a lei, a religiáo, a ordem e a desordem da cidade. Todos são forçadas a referenciá-las. Opor-se as famílias tradicional é condenar-se ao ostracismo e revanchismo. Todas as portas serão fechadas para o delator por ordem dessas famílias.
Enfim, o município de Goiás é paradisiaco e trans-terrestre. Pena que sua população local é prisioneira do olhar repressivo das famílias tradicionais.
O orgulho de ter Cora Coralina como moradora ilustre da cidade não esconde a vergonha, o medo e olhar cabisbaixo da população que é obrigada sufocar a sua indignação contra os playboys vandalos da pedra de Serra Dourada, sob pena de sofrer sancões que desafiam até os direitos humanos modernos.
Viva Município de Goiás! Viva o seu povo humildade, sofredor e trabalhador que consegue sorrir para os turistas mesmo vivendo debaixo da opressão por parte das familias tradicionais.
Vou indo, mas sentindo muita saudade do município de Goiás.

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